sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Au revoir Amélie

Em seu último dia
Você me fazia escrever poemas de amor
E me fazia pensar se eu estava
certa

Como sempre

Eu te olhava tão de longe
E me sentia a pessoa mais frágil do planeta
Algo onde com apenas 
barulhos de passos 
me quebrasse
Da cabeça aos 
pés

Me sentia tão clichê
As falas do meu filme favorito seriam apenas
"Nós somos tão iguais"
Daqui pra frente
Eu adorava ser Amélie
Eu me sentia você
todo tempo
E isso era o que tinha de melhor

Você é bom
Acredite
Eu me importo com você
Acredite!

Você é melhor que eu
Em muitos aspectos

Mas no momento em que eu nunca estive mais solitária
Mais frágil e intocada
Eu sabia que em algum lugar daquela cidade
Eu estava segura

Em uma casa
Eu não precisava ter medo [ Porque há amor
Havia todo um caminho para os meus pés errantes

Em seu último dia
Você me fez viver 9 meses em uma hora
Eu tinha poucos minutos
Poucos segundos
Eu tinha pouco de tudo isso
Desse amor que nunca foi consumido
E talvez por isso seja perfeito
Como em uma equação infinita.

Mas a gente se apaixona pelas imperfeições.

Desculpa
Essa é toda a minha verdade
Ela arde e dói em minha pele
Agora.
O arrepio é longo demais 
E estala minha coluna
Dessa vez, eu não queria dizer adeus

Mas adeus.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos"

The Black Keys
E os Vaccines
Eles me ajudaram
bastante

E toda essa música
depressiva
Que me ajudou

E toda essa
gente
Que me ajudou

Com toda essa
balela de
"vai passar"

O The Verve
E os Stokes
Me ajudaram
O Monkeys também

Mozart me deu um help
E os beattles me deram a morte
Quase
Oasis me deu deserto
E o Bob, grande Bob, me deu espasmos

XX, Legião e Chico
me deslocaram
Joy me disse
"O amor vai te dilacerar, outra vez"
E o Cícero, ele me disse de domingos
Como este

Eu ainda

de pé
Não me pergunte como
Ou porquê [ eu não sei

Se alguém
souber
Diz que eu não tenho raiva
não

Se alguém
souber
Me explica

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Setembro primeiro

Foi verdade
desde a primeira vez

Que te vi
que te amei
que te odiei
que te cuspi
que te sonhei
que te chutei
que te disse não
que te disse sim
que te disse vem
que te disse

Foi verdade
desde a primeira vez
tudo que me confundiu
em você

Foi verdade
E só isso foi
verdade
Eu te amei

Ainda amo
Eu acho
Eu sinto
Porque você
É um pouco
De tudo em mim

Mentira
É muito
E eu sinto muito
Esse é um sentimento
Enorme
B.

Grande Charles.

Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. 
Mas tinha um problema. Levantar da cama. Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais difícil de abrir mão. Sempre fui solitário. Você vai me desculpar, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. É, eu sei que isso não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram essas pessoas que me tornaram infeliz.
—  Bukowski.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O homem (Do futuro).

Quase nula é a certeza
Que se esconde de nós maestrialmente
E em um ímpeto
Nos cala

Relativo é o tempo
Milagroso remédio
Que violentamente nos deixa
hematomas

Nos engole como uma incrível máquina
Do tempo

Nada permanece em seu lugar
"A gente corre pra se esconder"
E tentar achar uma resposta
E coisa alguma vem
B.

três.

Não é fácil
Amar
Um homem
E desejar outro

Os beijos sobem
a clavícula
O corpo ebule. Mas a
alma continua intacta

Ainda mais se
de repente avistar
seu antigo amor. Que com
algum carinho, intocável, diz "você vai bem?"

Será que eu mudei
penso, tanto assim?
eu morro de medo.
B.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sal e areia

Olha rapaz
Eu tô lendo o dicionário
Entre outras bobagens feita por
homens
Eu aprendi uma nova palavra
E nela eu me enquadro 
Estou 
caleidoscopiando.

Estou querendo ver as coisas de formas 
nunca vistas
Cada pedacinho de uma cor 
diferente.

Estou aprendendo nos 
mergulhos 
Da vida
Que essas coisas 
mundanas
Como raiva, ciúmes, ilusões
São feitas para morrer lá 
Nas águas geladas.

Sabe, rapaz
Eu quase me afoguei
Em você e em suas
Palavras
Meu fôlego se renovou 
No último
último momento
Aquilo tudo que você falou 
que era? 
Aquilo tudo que eu 
acreditei?
Afundou. 
Está lá 
no mar.
E agora tanto faz.
B.